Por força de lei, em todos os prédios que dispõem de elevadores, os condomínios precisam colocar uma placa com os seguintes dizeres:
“Ao entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”.

No Rio de Janeiro, esse texto consta da Lei nº 7326, de 2016 (CONFIRA AQUI), mas há erros: a colocação do pronome “se” (que deveria ser antes do verbo, em próclise) e outro de impropriedade vocabular, que explicamos neste artigo.
O emprego da expressão O MESMO em função ANAFÓRICA – calma, eu explico: “função anafórica” consiste na retomada de um termo que já apareceu antes e é bastante comum em pronomes e nomes.
Essa palavra pode ter valor:
– adjetivo (e, portanto, variável), com o sentido de “exato, idêntico”: “Ele sempre escolhe o mesmo programa: o mesmo restaurante, a mesma comida, as mesmas mesas.”
– advérbio (e, portanto, invariável), equivalente a “justamente, de fato”: “Essa mulher é mesmo irritante.” / “Será mesmo necessário fazer isso?”
– conjuntivo (conjunção), equivalente a “embora, apesar de, ainda que”: “Mesmo diante da prova, ele se recusava a confessar.”
– substantivo (acompanhado de artigo), equivalente a “a mesma coisa”: “Você me deseja paz e eu desejo o mesmo para você.”
O problema está no emprego de “o mesmo” no lugar de pronomes como “ele”.
Na frase do elevador, bastaria usar o pronome pessoal: “Ao entrar no elevador, verifique se ELE se encontra no andar”. Simples, certo e fácil.
Por isso, quando o elevador chegar, cuidado com o fantasma “o mesmo”.


